Position sizing é a resposta à pergunta "quantos contratos (ou ações) eu opero neste trade?" — calculada a partir do risco que você aceita perder e da distância do stop, e não do quanto a margem permite ou da vontade de ganhar rápido.
É a peça que conecta as outras: o risco por operação (1–2% da banca) define o "orçamento" do trade; o stop define o custo por contrato; o sizing divide um pelo outro.
Dois traders com o mesmo setup, mesmo stop e mesma taxa de acerto podem ter destinos opostos só pela diferença de lote. Sizing errado transforma estratégia lucrativa em conta quebrada, porque a sequência de perdas — inevitável em qualquer método — bate proporcionalmente à posição.
Exemplo numérico: banca de R$5.000, stop de 200 pontos no WIN (R$40/contrato).
| Lote | Perda por stop | 6 stops seguidos | % da banca |
|---|---|---|---|
| 1 contrato | R$40 | R$240 | 4,8% |
| 5 contratos | R$200 | R$1.200 | 24% |
| 15 contratos | R$600 | R$3.600 | 72% |
Sequências de 6 perdas acontecem com frequência até em métodos com 50% de acerto (probabilidade ~1,6% por sequência de 6 — em 200 trades no ano, é quase certo ocorrer). Com 15 contratos, a mesma sequência que seria um arranhão destrói a banca. E como recuperar 72% exige +257%, o jogo praticamente acaba.
Fórmula padrão (modelo de risco fixo fracionário):
`` Contratos = (Banca × %risco) ÷ (stop em pontos × valor do ponto) ``
Valores por contrato: WIN = R$0,20/ponto, WDO = R$10,00/ponto. Em ações: Quantidade = risco em R$ ÷ (preço de entrada − preço do stop).
Exemplos (risco de 1%):
Sempre arredonde para baixo. Se der menos de 1 contrato, o trade não cabe naquele orçamento de risco. Não reduza o stop só para forçar o lote: deixe de operar, use simulador ou escolha um instrumento de menor valor nocional. Um stop menor só é válido quando a tese técnica o justifica independentemente do lote.
Modelos alternativos (avançado): fração fixa da banca (recalcula a cada trade, capitaliza ganhos e desalavanca em drawdown), Kelly fracionado (usa acerto e payoff medidos para achar a fração ótima — na prática usa-se ¼ a ½ do Kelly, pois o Kelly cheio gera drawdowns brutais), e sizing por volatilidade (stop e lote derivados do ATR, normalizando o risco entre dias calmos e nervosos).
Fortes:
Limitações:
Diego tem banca de R$8.000 e risco de 1,5% por trade (R$120). Segunda-feira calma: setup no WIN com stop de 200 pontos → 120 ÷ 40 = 3 contratos. Quarta-feira de Copom: mesmo setup, mas o stop técnico coerente é 500 pontos → 120 ÷ 100 = 1,2 → 1 contrato.
Na quarta ele toma o stop: perde R$100 (500 × 0,20 × 1). Se tivesse mantido os 3 contratos da segunda, a perda seria R$300 — 3,75% da banca num trade só. No mês, Diego fez 40 trades, teve sequência de 7 perdas seguidas em uma semana ruim e o drawdown máximo ficou em ~8% — desconfortável, recuperável. O sizing não fez ele ganhar; fez ele continuar no jogo para o método ganhar.