São as duas métricas clássicas de retorno ajustado ao risco: quanto de retorno acima do ativo livre de risco a estratégia entrega por unidade de oscilação.
A diferença importa: o Sharpe trata desvios positivos e negativos como volatilidade. Um ganho muito grande aumenta tanto o retorno médio quanto o desvio-padrão; o efeito líquido no Sharpe é ambíguo. O Sortino foca os desvios abaixo da meta escolhida.
`` Sharpe = (Retorno da estratégia − Taxa livre de risco) / Desvio-padrão dos retornos Sortino = (Retorno da estratégia − Meta mínima) / Downside deviation em relação à meta ``
Anualização (regra da raiz quadrada): é uma aproximação que pressupõe periodicidade compatível, média/variância relativamente estáveis e pouca autocorrelação. Não aplique mecanicamente a séries sobrepostas, irregulares ou fortemente dependentes.
`` Sharpe anualizado ≈ Sharpe do período × √(períodos por ano) ``
No Brasil, a taxa livre de risco é o CDI, não zero — ignorar isso infla o número, ainda mais com CDI em dois dígitos.
Fortes:
Limitações:
Cenário hipotético, com retornos diários e anualização sob as premissas descritas: Um trader fecha o ano com +38% de retorno sobre o capital alocado. Parece ótimo. Mas o CDI no período rendeu ~14%, então o retorno excedente é 24%. O desvio-padrão anualizado dos retornos diários dele foi de 31%.
`` Sharpe = 24% / 31% = 0,77 ``
O Sharpe é 0,77. Calculando o Sortino, o downside deviation anualizado em relação ao CDI foi de 19%:
`` Sortino = 24% / 19% = 1,26 ``
A leitura muda: boa parte da oscilação dele vinha dos dias de ganho grande, não do risco. O Sharpe estava punindo justamente o que a estratégia faz de melhor. Ele mantém a estratégia, mas passa a reportar Sortino — e a acompanhar o drawdown máximo separado, porque nenhum dos dois números mostra isso.